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Chef José Gala em entrevista
1 de Julho, 2026
Chef José Gala em entrevista

Natural de Pias, concelho de Serpa, distrito de Beja. Localidade com forte tradição vitivinícola e rica gastronomia.

Já passou por Lisboa, Luanda, São Miguel – Açores e está de regresso ao Alentejo. Mais concretamente, a Vidigueira, no The Wine Restaurant, do Hotel Quinta do Paral.

Esteve 9 anos nos Açores, a chefiar um grupo hoteleiro de excelência na Região, tendo em 2023 e 2024 sido formador na Escola de Formação Turística dos Açores, na ação de formação Pescado fresco – conservação e exposição, destinada a adultos empregados, e nas unidades de formação do 2.º e do 3.º ano do curso Técnico/a de Cozinha/Pastelaria: Preparação e confeção de Peixes e Mariscos e Cozinha Criativa.

Regressa ao Alentejo, em 2025, convidado pela Quinta do Paral para chefiar a cozinha do The Wine Restaurant, onde a tradição vitivinícola e a riqueza gastronómica estão patentes. Conceitos como sazonalidade, sustentabilidade, harmonia e sofisticação se fundem e se aliam à herança vínica do Alentejo, resultando numa saborosa oferta gastronómica.

 

Quando o convite da Quinta do Paral lhe foi feito, como o recebeu?

O convite da Quinta do Paral foi uma surpresa. Acolhi-o como um desafio de voltar às minhas raízes no Alentejo mais interior, numa região que prima pela história, pela identidade e pelos produtos que tem, para desenvolver o projeto do The Wine Restaurant, onde se enaltece enogastronomia com os vinhos Quinta do Paral.

 

Fazia parte dos seus planos regressar ao Alentejo?

Tinha ideia de um dia fazer algo no Alentejo, que me fizesse regressar às vivências e às memórias da infância, com o pão das tabernas e o cante Alentejano (sempre presente através do meu avô), mas não imaginei que fosse tão cedo.

 

Com o jantar vínico Açores & Alentejo – vinho, tradição e inovação, o Chef Gala regressa à cozinha do Anfiteatro, onde já chefiou e confecionou, aquando do Almoço Temático – Açores, uma viagem em cada prato e do evento Chefs em Cena, onde protagonizou o momento gastronómico Santa Maria e Alentejo. Quais as sensações que anseia experienciar e proporcionar aos presentes no dia 3 de julho?

Regressar a São Miguel é sempre bom e ao Anfiteatro também. Sinto-me muito feliz aqui por diversos motivos.

O que vamos trazer para este jantar, além de bons vinhos, é uma partilha de sabores e experiências gastronómicas entre dois territórios que adoro trabalhar a todos os níveis.

Como regiões com relativo isolamento, os antigos criaram técnicas e saberes para lidar com os produtos, que no dia 3 de julho, vamos usá-los de uma forma mais contemporânea. Eu e o Chef Paulo Freitas criamos um menu onde o sabor e a cultura destas duas regiões se fundem. Produtos e sabores cheios de identidade e de histórias para contar à mesa.

 

Sendo duas Regiões de grande importância para si, pode-se contar com 6 momentos gastronómicos de história e de emoções?

A história, as memórias, a pesquisa e as emoções estão muito presentes e aqui (em São Miguel) ainda mais. É dos locais que mais adorei viver e trabalhar gastronomicamente.  Fazer esta ponte “transatlântica” entre os Açores e o Alentejo com produtos e sabores é fantástico e traz muitas emoções à mistura.

 A cozinha é de pessoas para pessoas e como diz o escritor Mia Couto: “cozinhar é um modo de amar os outros”.

 

Falar do Chef José Gala é falar de quem?

Falar do Chef José Gala é falar de exigência, pois acredito que sem exigência não há evolução, mas é, também, falar de alguém humano e que gosta de transmitir conhecimento, fazer crescer e potenciar pessoas, formar equipas e desenvolver projetos. Sempre gostei de desafios e sei que sou obstinado pela organização e planeamento. Cada vez mais é importante, não só ser muito bom tecnicamente, mas também com pessoas. Ninguém faz nada sozinho e o sucesso do Chef é resultado do trabalho diário das equipas com processos definidos, proximidade e consistência. Cozinhamos uns com os outros e cuidamos uns dos outros.

Uma das minhas premissas na cozinha é trabalhar primeiro o produto local e na época de melhor frescura e sabor. Isto também nos permite contar as histórias deste ou daquele lugar à mesa, transmitir a nossa identidade e cultura gastronómica que é riquíssima e merece ser contada. Ao fazermos isto, estamos a preservar o nosso património e os produtos para o futuro.

 

E isto sente-se na sua cozinha?

Na minha cozinha sempre digo que a técnica tem de estar ao serviço do sabor. Nada é feito ou pedido ao acaso. Tudo o que fazemos e sai das nossas mãos tem impacto em quem degusta e, por isso, tem de ser bem feito.

Felizmente tenho pessoas à minha volta que também partilham desta forma de estar na cozinha, nomeadamente, o meu Sub-Chef Paulo Saraiva. Já trabalhamos há perto de 15 anos. Gosto de equipas estáveis, focadas e com predisposição para serem estimuladas a evoluir.

Este jantar vínico, que irá decorrer no Anfiteatro, proporcionou que voltasse a trabalhar com o Chef Paulo Freitas, o que é sempre giro. Será, uma vez mais, a partilha, não só da cozinha, como também dos valores que temos em comum, formação, maneira de pensar os produtos e de criar sabores com tendências e identidade. Quando assim é, torna-se tudo fluido e tem-se muita alegria no que se faz.

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